PENSANDO NO SIGNIFICADO DAS COTAS SOCIAIS E RACIAIS
NAS UNIVERSIDADES PÚBLICAS BRASILEIRAS
O projeto de lei que quer garantir 20% das vagas para negros e pardos em todos as universidades do Brasil vem gerando opiniões opostas em toda a sociedade. De um lado aqueles que historicamente foram escravizados e discriminados de outro, aqueles que se sentem prejudicados por verem as suas chances de passar no vestibular diminuídas, e injustiçados por sentirem que desta forma estarão pagando por políticas mal elaboradas.
O Rio de Janeiro foi o primeiro estado brasileiro a adotar o critério das cotas para negros. As duas universidades estaduais - UERJ, na capital, e UENF, em Campos - reservam 40% de suas vagas para negros e pardos, o que já ocasionou grande polêmica por lá.
As pesquisas do Ipea, apontam que no Brasil existem 22 milhões de pobres, dos quais 60% são constituídos por negros. Então a pobreza tem cor, a miséria tem cor no país, como é que eu posso fugir dessa questão racial, se tem dados me demonstrando que tem cor a miséria?
Ao pensarmos um pouco sobre o cenário social e racial das universidades públicas brasileiras, debate acerca da questão racial, social e histórica do nosso país. O Brasil carrega na sua história como Estado, um profundo abandono para com o povo negro aqui escravizado por séculos. Em nenhum momento, o poder público em nosso país propôs políticas que reparassem ou pelo menos atendessem aos direitos e às necessidades do negro brasileiro.
As populações negras precisam, pelo menos, primeiramente serem representadas nos espaços de produção científica e logo ocuparem quantitativamente, cada vez mais, esses espaços, e as cotas vislumbram auxiliar nesse sentido.
Enfim, pensando no significado das cotas sociais e raciais nas Universidades Públicas Brasileiras, os negros devem ser amparados por lei, para que haja uma quebra do preconceito burguês das instituições brasileiras em todas as instâncias.
O nosso objetivo é postar as atividades do curso Artigo de Opinião; divulgar o nosso trabalho em sala de aula e trocar experiencias bem sucedidas com outros professores.
terça-feira, 11 de outubro de 2011
Só há notícia se for ruim, de Carlos Brickmann
Artigo de opinião
Só há notícia se for muito ruim
Carlos Brickmann
Elio Gaspari costuma dizer que, nas redações, a notícia chega devagarzinho, abre a porta de leve, põe a cabeça para dentro e entra correndo para esconder-se.Se alguém a notar, será imediatamente chutada para fora.
E, se a notícia for boa, suas chances de sobrevivência são ainda menores. Notícia que o pessoal gosta é corrupção, é escândalo, é miséria, é tudo aquilo que deu errado.Nas ocasiões em que o Brasil dá certo, aí não é notícia( e não vale nem a regra de que boa notícia é o inusitado). Lugar de notícia boa é a cesta do lixo.
Jundiaí, no interior de São Paulo, atingiu 100% no fornecimento de água tratada e chegou muito perto disso no tratamento de esgotos ( só não atingiu 100% por um problema judicial). Notícias? Só nos jornais da região, e olhe lá.A capital de São Paulo, onde o programa de água e esgotos caminha bem mais ainda está longe da universalização, ignorou o tema.O Brasil, onde água tratada e esgoto são coisas de gente rica, preferiu investigar se tem ministro comendo tapioca com cartão corporativo(tema que até vale investigação, mas não pode substituir outros assuntos de importância, que se referem à vida e à morte dos cidadãos).
São Caetano do Sul. Na Grande São Paulo, é um exemplo ainda mais claro de que as boas notícias são desprezadas pelos meios de comunicação.De acordo com os número Fundaçã da respeitadíssima o Seade, o índice de mortalidade infantil de São caetano é o menor do país; equipara-se aos da Bélgica e do Japáo, quatro mortes por mil nascimentos.É índice que ocorre no Primeiro Mundo.
A derrubada dos índices de mortalidade infantil não ocorre, em lugar nenhum, apenas pela boa atenção à saúde: exige tempo, trabalho coordenado, que envolve planejamento, engenharia( tratamento de esgotos e água), meio ambiente(plantio de árvores, limpeza de rios e córregos), coleta de lixo, de preferência seletiva, assistência social (há em São Caetano um programa tipo bolsa-família, mais completo que o federal, mantido com recursos municipais), aleitamento materno, cuidados com as gestantes, educação em sentido amplo, higiena, empregos. E envolve, o que é raro, continuidade administrativa: não é porque um prefeito é adversário do antecessor que deve abandonar seus planos.O atual prefeito, José Auricchio, reeleito com 70% dos votos, tem na oposição boa parte do grupo político de seu antecessor. E daí? Neste processo todo, a cidade de 150 mil habitantes atingiu o maio Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do país. E, fora da região do Grande ABC, o fato foi olimpicamente ignorado pelos meios de comunicação.
Dizem que Ribeirão Preto vai muito bem na área social(mas como encontrar dados, se não há reportagens?). E, o que aparece às vezes na TV (mas rarissimamente na imprensa escrita), a cidade se transforma em área de tecnologia de ponta no uso do raio laser em auxílio a transplantes. Há belas experiência de sustentabilidade ambiental no Rio Grande do Sul, há o hospital de referência no tratamento de câncer de Barretos, há as experiências em Campinas da Unicamp em energia alternativa e cirurgia para diabetes, há excelentes pesquisas em Campina Grande, na Paraíba, há um belo trabalho da Embrapa e da Escola de Agricultura Luiz de Queiroz, há a agricultura irrigada de ótima qualidade no semiarido nordestino.E quem sabe, por ter sido informado pelos meios de comunicação, que as hélices dos geradores de vento da Europa são, em grande parte, fabricadas no Brasil?
Vale matéria? De vez em quando, a TV mostra, em horários alternativos, em programas especializados, alguns as, alguns aspectos dessas experiências positivas.De muita coisa este colunista tomou conhecimento ao integrar o júri do último Prêmio Esso de Jornalismo, com belíssimas matérias nos jornais da região sobre os bons fatos que também ocorrem.
Vale matéria? Deveria valer. Mas, além da volúpia por más notícias, há um problema extra, que assusta pauteiros e repórteres: o medo da patrulha.Fazer matéria a favor pode dar a impressão de que há alguma coisa esquisita além da reportagem. Mas é preciso vencer também este preconceito- ou ficaremos restritos ao noticiário policial fingindo que é cobertura política.
Artigo de opinião retirado do material da Olimpíada de Língua Portuguesa.
Só há notícia se for muito ruim
Carlos Brickmann
Elio Gaspari costuma dizer que, nas redações, a notícia chega devagarzinho, abre a porta de leve, põe a cabeça para dentro e entra correndo para esconder-se.Se alguém a notar, será imediatamente chutada para fora.
E, se a notícia for boa, suas chances de sobrevivência são ainda menores. Notícia que o pessoal gosta é corrupção, é escândalo, é miséria, é tudo aquilo que deu errado.Nas ocasiões em que o Brasil dá certo, aí não é notícia( e não vale nem a regra de que boa notícia é o inusitado). Lugar de notícia boa é a cesta do lixo.
Jundiaí, no interior de São Paulo, atingiu 100% no fornecimento de água tratada e chegou muito perto disso no tratamento de esgotos ( só não atingiu 100% por um problema judicial). Notícias? Só nos jornais da região, e olhe lá.A capital de São Paulo, onde o programa de água e esgotos caminha bem mais ainda está longe da universalização, ignorou o tema.O Brasil, onde água tratada e esgoto são coisas de gente rica, preferiu investigar se tem ministro comendo tapioca com cartão corporativo(tema que até vale investigação, mas não pode substituir outros assuntos de importância, que se referem à vida e à morte dos cidadãos).
São Caetano do Sul. Na Grande São Paulo, é um exemplo ainda mais claro de que as boas notícias são desprezadas pelos meios de comunicação.De acordo com os número Fundaçã da respeitadíssima o Seade, o índice de mortalidade infantil de São caetano é o menor do país; equipara-se aos da Bélgica e do Japáo, quatro mortes por mil nascimentos.É índice que ocorre no Primeiro Mundo.
A derrubada dos índices de mortalidade infantil não ocorre, em lugar nenhum, apenas pela boa atenção à saúde: exige tempo, trabalho coordenado, que envolve planejamento, engenharia( tratamento de esgotos e água), meio ambiente(plantio de árvores, limpeza de rios e córregos), coleta de lixo, de preferência seletiva, assistência social (há em São Caetano um programa tipo bolsa-família, mais completo que o federal, mantido com recursos municipais), aleitamento materno, cuidados com as gestantes, educação em sentido amplo, higiena, empregos. E envolve, o que é raro, continuidade administrativa: não é porque um prefeito é adversário do antecessor que deve abandonar seus planos.O atual prefeito, José Auricchio, reeleito com 70% dos votos, tem na oposição boa parte do grupo político de seu antecessor. E daí? Neste processo todo, a cidade de 150 mil habitantes atingiu o maio Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do país. E, fora da região do Grande ABC, o fato foi olimpicamente ignorado pelos meios de comunicação.
Dizem que Ribeirão Preto vai muito bem na área social(mas como encontrar dados, se não há reportagens?). E, o que aparece às vezes na TV (mas rarissimamente na imprensa escrita), a cidade se transforma em área de tecnologia de ponta no uso do raio laser em auxílio a transplantes. Há belas experiência de sustentabilidade ambiental no Rio Grande do Sul, há o hospital de referência no tratamento de câncer de Barretos, há as experiências em Campinas da Unicamp em energia alternativa e cirurgia para diabetes, há excelentes pesquisas em Campina Grande, na Paraíba, há um belo trabalho da Embrapa e da Escola de Agricultura Luiz de Queiroz, há a agricultura irrigada de ótima qualidade no semiarido nordestino.E quem sabe, por ter sido informado pelos meios de comunicação, que as hélices dos geradores de vento da Europa são, em grande parte, fabricadas no Brasil?
Vale matéria? De vez em quando, a TV mostra, em horários alternativos, em programas especializados, alguns as, alguns aspectos dessas experiências positivas.De muita coisa este colunista tomou conhecimento ao integrar o júri do último Prêmio Esso de Jornalismo, com belíssimas matérias nos jornais da região sobre os bons fatos que também ocorrem.
Vale matéria? Deveria valer. Mas, além da volúpia por más notícias, há um problema extra, que assusta pauteiros e repórteres: o medo da patrulha.Fazer matéria a favor pode dar a impressão de que há alguma coisa esquisita além da reportagem. Mas é preciso vencer também este preconceito- ou ficaremos restritos ao noticiário policial fingindo que é cobertura política.
Artigo de opinião retirado do material da Olimpíada de Língua Portuguesa.
O QUE É ESSENCIAL PARA TODOS?
“O homem é essencialmente um ser de cultura”, argumenta o professor
Denys Cuche, da Universidade Paris V. A cultura é um campo do conhecimento humano
que nos permite pensar a diferença, o outro, é dar um fim às explicações
naturalizantes dos comportamentos humanos. As questões étnica, nacional
e de gênero, por exemplo, não podem em hipótese alguma serem observadas
em seu “estado bruto”. É o caso da relação homem-mulher, cujas implicações
culturais são mais importantes do que as explicações biológicas.
E por que se faz importante fazer esta breve introdução, na questão da ideia
do Vale-Cultura, lançada pelo Governo Federal e atualmente em discussão
com os atores sociais da área? Porque urge que nossa legislação passe por uma
transformação, dado que a principal lei do setor está defasada (é de 1991) e é
insuficiente para os desafios atualmente expostos.
O conceito de “cultura” é tão reivindicado quanto controverso. Ouvimos
esta palavra diariamente, para os mais diversos usos: cultura política, cultura
religiosa, cultura empresarial. Também serve para complexificar e ampliar um
debate sobre um tema difícil (“isso é cultural”), para finalizá-lo (“não tem jeito,
isso é cultural”) ou gerar preconceito contra um grupo social (“o povo não
tem cultura”). São múltiplos os usos.
Está claro que incentivar as manifestações culturais de um povo é condição
indispensável para seu desenvolvimento. É certo que este instrumento
deve atingir um de seus principais objetivos: a desconcentração regional e a
democratização do acesso a produtos culturais. A simples injeção de
R$ 600 milhões por mês no mercado cultural, podendo atingir até
12 milhões de brasileiros, já é um grande benefício.
O curioso na iniciativa do Governo, que já tramitava no Congresso
desde 2006, é a questão tardiamente (e fatalmente) gerada para reflexão: o
que é essencial para todos? Se o trabalhador possui o Vale-Transporte e o
Vale-Alimentação, por que não o Vale-Cultura? Este debate – e o debate é
justamente este – gera reações ainda mais curiosas.
A mais risível é a que ataca a proposta como “dirigista”, afirmando
que o tempo do dirigismo cultural já acabou em todo o mundo. Uma simplificação
melancólica e uma inverdade: governos de países que alcançaram
bons índices de desenvolvimento humano investem muito mais na
cultura do que o Brasil. Os ataques têm nome: são os mesmos que falam
em “alta cultura” e compõem as velhas oligarquias deste setor, pois concentraram
por muito tempo a exclusividade dos “negócios” da cultura.
Alguns chegam a duvidar da “qualidade estética” dos produtos culturais
a serem consumidos.
Estão claros os inimigos deste discurso conservador: o trabalhador, que
passa a ser progressivamente um crítico de cultura, e as manifestações da
cultura popular – ora atacada, por exemplo, por meio da restrição à cultura
do funk carioca.
A aprovação do Vale-Cultura será um passo importante, dentro de uma
longa caminhada, para a inserção de milhões de brasileiros no universo
privilegiado da cultura local, regional e nacional.
Denys Cuche, da Universidade Paris V. A cultura é um campo do conhecimento humano
que nos permite pensar a diferença, o outro, é dar um fim às explicações
naturalizantes dos comportamentos humanos. As questões étnica, nacional
e de gênero, por exemplo, não podem em hipótese alguma serem observadas
em seu “estado bruto”. É o caso da relação homem-mulher, cujas implicações
culturais são mais importantes do que as explicações biológicas.
E por que se faz importante fazer esta breve introdução, na questão da ideia
do Vale-Cultura, lançada pelo Governo Federal e atualmente em discussão
com os atores sociais da área? Porque urge que nossa legislação passe por uma
transformação, dado que a principal lei do setor está defasada (é de 1991) e é
insuficiente para os desafios atualmente expostos.
O conceito de “cultura” é tão reivindicado quanto controverso. Ouvimos
esta palavra diariamente, para os mais diversos usos: cultura política, cultura
religiosa, cultura empresarial. Também serve para complexificar e ampliar um
debate sobre um tema difícil (“isso é cultural”), para finalizá-lo (“não tem jeito,
isso é cultural”) ou gerar preconceito contra um grupo social (“o povo não
tem cultura”). São múltiplos os usos.
Está claro que incentivar as manifestações culturais de um povo é condição
indispensável para seu desenvolvimento. É certo que este instrumento
deve atingir um de seus principais objetivos: a desconcentração regional e a
democratização do acesso a produtos culturais. A simples injeção de
R$ 600 milhões por mês no mercado cultural, podendo atingir até
12 milhões de brasileiros, já é um grande benefício.
O curioso na iniciativa do Governo, que já tramitava no Congresso
desde 2006, é a questão tardiamente (e fatalmente) gerada para reflexão: o
que é essencial para todos? Se o trabalhador possui o Vale-Transporte e o
Vale-Alimentação, por que não o Vale-Cultura? Este debate – e o debate é
justamente este – gera reações ainda mais curiosas.
A mais risível é a que ataca a proposta como “dirigista”, afirmando
que o tempo do dirigismo cultural já acabou em todo o mundo. Uma simplificação
melancólica e uma inverdade: governos de países que alcançaram
bons índices de desenvolvimento humano investem muito mais na
cultura do que o Brasil. Os ataques têm nome: são os mesmos que falam
em “alta cultura” e compõem as velhas oligarquias deste setor, pois concentraram
por muito tempo a exclusividade dos “negócios” da cultura.
Alguns chegam a duvidar da “qualidade estética” dos produtos culturais
a serem consumidos.
Estão claros os inimigos deste discurso conservador: o trabalhador, que
passa a ser progressivamente um crítico de cultura, e as manifestações da
cultura popular – ora atacada, por exemplo, por meio da restrição à cultura
do funk carioca.
A aprovação do Vale-Cultura será um passo importante, dentro de uma
longa caminhada, para a inserção de milhões de brasileiros no universo
privilegiado da cultura local, regional e nacional.
Jornal do Brasil, 18/7/2009; e
Fazendo Média (www.fazendomedia.com/?p=268), 26/7/2009.
Gustavo Barreto é produtor cultural no Rio de Janeiro e mestrando do
Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura na UFRJ.
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